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Instituto Bruno > Artigos > A importância da audição e visão no processo de comunicação
Por: Maria do Carmo Vianna


A audição e a visão são sentidos de distância e que proporcionam à criança um conhecimento do mundo muito enriquecedor, pois o mundo que a cerca está a todo instante enviando mensagens que são armazenadas no cérebro mesmo sem ser codificadas.
No decorrer do seu desenvolvimento elas recebem o significado que contribui para o desenvolvimento da linguagem e comunicação do indivíduo.
    A apreensão do concreto é proporcionada pela visão, permite acesso ao mundo e lhe desperta, progressivamente, a curiosidade que a faz movimentar-se e começar a explorar o ambiente.
Através da visão a criança reconhece objetos e rostos familiares e antecipa os acontecimentos que estão por vir, como por exemplo, quando ela vê a mãe se arrumando sabe que vai passear e que algo diferente está acontecendo.
    A privação sensorial causada por deficiências visuais afeta o desenvolvimento da criança (desenvolvimento motor, consciência corporal, comunicação e interação com o ambiente, aquisição de conceitos) e habilidades funcionais.
    A visão é essencial no processo de coordenação dos movimentos. Ela serve para planejar para onde quer ir, o que quer alcançar e quais obstáculos evitar.
    Crianças com déficit visual têm dificuldades de dar início a movimentos por sua própria conta, necessitam do apoio de outros para tomar alguma decisão e para que os encorajem a se movimentar.
    Sua experiência vivencial é reduzida. Dependendo do grau da perda visual, a criança só poderá intuir o tamanho e forma do objeto usando o tato, e do ambiente, andando pelo local.
Todas estas dificuldades afetam o emocional da criança, deixando-a insegura e com medo das coisas. A comunicação apresenta algumas diferenças se comparada com as crianças videntes. A própria linguagem fica defasada em algumas crianças com deficiência visual.
    A audição tem um papel importante neste processo, pois fornece às crianças com deficiências visuais informações sobre o mundo a sua volta, pois podemos descrever o lugar, os objetos e, até mesmo, situações a dar a eles mais segurança.
    O surdocego de nascença fica privado dos dois sentidos mais importantes, pois são responsáveis pelo desenvolvimento da experiência e da simbolização. Eles é que proporcionam à criança a construção da imagem mental dos objetos, situações.
    A causa e o grau da perda da audição determinam suas conseqüências no desenvolvimento de crianças com surdez. As crianças surdocegas têm perda auditiva neurosensorial (Amaral, 2002). Uma fonoaudióloga precisa usar métodos adaptados para avaliar uma perda auditiva em uma pessoa surdocega.
Pela audição, as crianças desenvolvem um senso de ritmo e consciência dos sons ambientais, o que as torna conscientes do volume no espaço e as alerta quanto à possíveis perigos, e uma discriminação de padrões de entonação, que ajudam no reconhecimento das diferentes pessoas e diversas características emocionais do discurso (Van Uden, 1963).
   
O uso da audição residual é de extrema importância para as crianças surdocegas, para dar a elas a oportunidade de integrar o som na sua vida e complementar as informações recebidas pelos outros sentidos.
É de grande importância que as crianças surdocegas mantenham-se num ambiente sonoro, e que possamos estar sempre emitindo sons na fala mesmo usando uma comunicação não-verbal.
A tarefa do professor de crianças surdocegas é de fornecer-lhes os meios possíveis de estímulos sensoriais, tornando-os significativos o tanto quanto possível, e fazendo a integração com as informações que chegam dos outros sentidos.
Se através da visão, a criança normal aprende a reconhecer o rosto da mãe quando esta se aproxima e antecipar o movimento desta quando ela quer lhe pegar, para as crianças surdocegas esta experiência revela-se, muitas vezes, uma ameaça potencial. A criança é tocada, mexida, jogada de um lado para o outro, na ausência de informação que a tenha preparado para estas mudanças bruscas. A única informação que recebe é tátil, e esta acontece de imediato, sem nenhuma antecipação para que possa se organizar.
O contato corporal desta forma se torna ameaçador, causando choro e mal-estar. A crianças fica dependente da informação tátil para poder dar-se conta do que vai acontecer. Porém, não há uma distância da informação e o estímulo tátil, como ocorre na criança que ouve e vê, estes sentidos dão-lhe tempo para organizar, para receber o estímulo que vem sobre elas. Algumas destas crianças tendem a evitar o contato físico, dado não serem capazes de antecipar que uma pessoa vai lhe proporcionar um contato agradável.
Esta dificuldade no contato com a criança impede o estabelecimento de relações significativas, originando sentimentos de insegurança, dificultando a exploração dos ambientes.


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A importância da audição e visão no processo de comunicação
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